Uma breve história do Web analytics
Falamos muito sobre o tema e trabalhamos diariamente com ferramentas de Web Analytics e suas variantes. Mas, já pararam pra pensar como foi a história de tudo isso?
Reuni neste post alguns fatos interessantes para tentar montar uma boa cronologia sobre isso. Vamos lá!
O Cenário, como tudo começou
A internet pública surgiu no Brasil em 1990. No começo as coisas eram rudimentares, não havia buscadores e para efetuarmos uma visita em um site digitávamos o endereço diretamente no navegador.
Navegar pela internet era mais lento, mais difícil e com poucos recursos dinâmicos e visuais. Era como se recebessemos cartas como correios eletrônicos e lêssemos sites como revistas virtuais.
Nessa época também pouco se sabia sobre métricas ou medição da audiência on-line. Mas, é claro que as equipes de tecnologia (TI) avaliavam o impacto nos servidores e sua carga de trabalho. Mas era um foco estritamente técnico.
O uso dos contadores
No inicio, uma solução ficou muito popular para medição. Era uma tecnologia básica que incrementa um número a cada visualização. E e o exibia diretamente no site visitado para o usuário, eram os conhecidos Contadores, hit counters ou ainda web counters.
O motivo do uso dos contadores era mostrar a um novo visitante que sua página tinha uma visibilidade expressiva, fazendo uma espécie de marketing pessoal. Este seria o primeiro contato da área de Marketing com a área de Web Analytics, mas ainda não com o intuito de aprofundar as análises, e sim, simplesmente mostrar o grande impacto de um site.
Vejam como era o site do Itaú em 1996, e percebam como ele aplicava contadores:
A medição avança: O uso de Logs de acesso
Logo em seguida, por volta de 1993, surgiu a necessidade de medir o que estava ocorrendo no site em detalhes, e começou a se desenvolver o conceito de WebAnalytics. Neste primeiro estágio, começou-se a criar ferramentas que analisavam logs do servidor. Pelo simples fato que os logs já existiam e já continham informações sobre as requisições e “navegação” nas páginas.
Veja um exemplo das informações obtidas com o processamento desses logs na época:
- Página acessada
- Número do IP identificado
- Identificador do navegador (User-Agent)
- Sistema operacional
- Erros de Servidor (404, 500, etc)
Ou seja, era possível extrair mais informações do que simplesmente o “hits” de um contador, mas ainda era informações bem básicas e o objetivo principal era auxiliar a equipe de TI monitorar os acessos do site e os erros que ocorriam no servidor. O Marketing ainda não tinha descoberto verdadeiramente o Web Analytics.
Mas, começa a surgir a necessidade das pessoas que não tinham afinidade direta com tecnologia obterem um relatório de logs, pois esses dados não eram analisados com a mesma facilidade que os responsáveis pelo servidor web tinham. Sendo assim, em 1993, começam a surgir os primeiros software de análise de logs.
O WebTrends, foi pioneiro, e, além de avaliar o números dos logs, incorporou tabelas e gráficos para auxiliar as análises. Vejam como era a interface de criação dos relatórios e um exemplo de relatório da primeira versão do Webtrends:

E um exemplo de relatório:

Já em 1994, foi lançado um concorrente no mercado de WebAnalytics, o I/PRO. Era mais simples que o Webtrends, mas também chegou a ser bem utilizado. Veja abaixo um exemplo da interface gráfica do I/PRO:
Em 1995, destacou-se o lançamento de uma outra ferramenta de Análise de logs, criada pelo Dr. Stephen Turner, batizada de Analog, semelhante as anteriores, porém Open-Source. O que ajudou a difundir muito a cultura de Web Analytics entre desenvolvedores e outros usuários. Até hoje, dependendo da empresa de hospedagem que você contratar, elas incluirão o Analog, ou outras ferramentas de análise de logs como o AWStats ou Webalyzer, como uma ferramenta que faz parte do pacote. Veja um exemplo do relatório gerado pelo Analog:

A internet evolui, as métricas também: As tags de Web Analytics
Em 1996, nasce a linguagem de programação Javascript, que amadureceu de linguagens como a ECMAScript ou ECMA-262 que revolucionaram a automação e interação dinâmica nas páginas da internet.
Com essa revolução interativa, algumas empresas enxergaram a oportunidade de criar soluções mais avançadas de medição do uso dos recursos na internet através das novas tecnologias. E então acontece o lançamento de ferramentas modernas de WebAnalytics como WebSideStory, Omniture, Nedstat e Unica. Todas essas ferramentas marcaram o amadurecimento do mercado de soluções para Web Analytics e hoje em dia algumas já não existem mais, não por terem ficado defasadas, mas por terem sido compradas ou incorporados num processo de consolidação do setor.
A utilização do Javascript para medição ficou conhecida como Page Tagging, que consiste na adição de um trecho de código Javascript na página, que monitora as ações do usuário e obtém dados específicos, armazenando através de cookies e enviado ao servidor as informações coletadas.
Para entender melhor a diferença entre os métodos de coleta de dados em Web Analytics (Page Tagging, Logs, etc), consulte o artigo Web Analytics na Wikipedia.
Cronologia: Do início até os dias de hoje
Depois disso, o mercado de Web Analytics aflorou, não parou de evoluir. Desde lançamentos de ferramentas a aquisições corporativas incluindo a criação e aprimoramento de técnicas, como a análise de eventos, segmentações, integrações com banco de dados.
Preparamos uma lista evolutiva destas principais datas até hoje para você acompanhar tudo:
- 1990 a 1993: Uso de contadores, hit counters, web counters e etc.
- 1993: Lançamento do Webtrends
- 1994: Lançamento do I/PRO
- 1995: Lançamento do Analog
- 1996: Surgimento da linguagem Javascript e Lançamento das ferramentas WebSideStory, Omniture, Nedstat e Unica
- 1999: Foi lançado o Coremetrics
- 2000: Foi lançada a ferramenta Xiti
- 2002 : Acontece o 1º eMetrics Summit
- 2003: Foi lançado o WebAnalytics Webtrekk, no mesmo ano foi criada a Web Analytics Association.
- 2004: Foi lançado o Xiti Analyzer, no mesmo ano foi criada por Eric Peterson o grupo de discussão de WebAnalytics:
- 2005: O Google adquiriu o software Urchin. Ainda em 2005, o Google lançou o Google Analytics. (Leia mais sobre: Urchin e Consultoria Google Analytics)
- 2006: A empresa Visual Sciencies comprou o WebSideStory e o renomeou para Visual Sciencies, no mesmo ano nasceu o grupo Brasileiro webanalytics_brasil.
- 2007: Em setembro aconteceu o lançamento do Gatineau pela Microsoft. Em outubro do mesmo ano, a Omniture adquiriu o Visual Sciencies.
- 2008: Em fevereiro, o Microsoft Gatineau se tornou o Microsoft Adcenter Analytics. Em maio, o Yahoo adquiriu o Index Tools. Em setembro do mesmo ano, a ferramenta Xiti mudou de nome para o própio nome de seu fabricante, At Internet.
- 2009: Em Março foi anunciado o fim do Microsoft AdCenter Analytics, no mesmo ano a Omniture foi comprada pela Adobe.
- 2010: IBM anuncia a compra da Coremetrics e da Unica. comScore anuncia a compra da Nedstat.
O importante é analisar!
Concluindo, desde o início da internet até os dias atuais presenciamos inúmeras inovações, WebAnalytics nasceu, cresceu, evoluiu e se tornou uma disciplina indispensável para uma empresa que pretende medir seus resultados online.
Cabe a você avaliar e decidir qual ferramenta de webanalytics irá te auxiliar no que pretende medir. Existem muitas ferramentas, gratuitas ou pagas. Todas podem utilizar as duas diferentes técnicas de medição como já abordamos anteriormente (análise de logs e page tagging), mas cada uma terá seu diferencial técnico, metodológico, recursos diferentes e/ou foco em segmentos específicos. Basta avaliar sua real necessidade e qual se encaixa melhor. Este post pode ajudar: Como escolher sua ferramenta de Web Analytics.
Boa sorte na sua escolha e boas análises!










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